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04/07/2023

A MOTOCICLETA E O MOTOCICLISTA

A MOTOCICLETA E O MOTOCICLISTA

Muito se fala sobre mobilidade, mas pouco se fala sobre a organização da mobilidade nas grandes cidades. Podemos dizer que atualmente um dos principais desafios da gestão pública nas cidades é a mobilidade urbana. A ausência de políticas públicas específicas para aumentar a oferta de transporte público, por exemplo, resulta diretamente na busca pelo transporte individual.

E a motocicleta se encaixa perfeitamente nesse perfil, como um meio de transporte rápido e barato. Entretanto também não há projetos para facilitar a integração dos modais para que haja maior fluidez e ainda respeito no trânsito, a melhor forma de diminuir acidentes. Acabamos de passar pelo mês da conscientização da segurança no trânsito, o Maio Amarelo, porém, segundo o Observatório de Segurança e Saúde, as mortes provocadas por acidentes de trabalho cresceram 7% no Brasil em 2022, alta puxada especialmente pelos entregadores. Porém a imprudência se vê tanto do lado dos carros quanto das motos.

Só na capital paulista são mais de 350 mil trabalhadores usando a motocicleta para fazer entregas e mais de 1,5 milhão em todo o país. Em 2022 foram 24.642 acidentes envolvendo motociclistas no Brasil. Esse dado é do Ministério Público do Trabalho, porém são dados do setor formal, aqueles que não contribuem com a previdência social não estão no cálculo. A subnotificação é um problema, pois dificulta um número preciso e a tomada de decisão. Diante desses números, destaco que a motocicleta é uma força de trabalho e traz renda para muitas famílias, e não podemos nos esquecer de que durante a pandemia foram os entregadores que fizeram a diferença.

Dessa forma é preciso haver investimentos em capacitação e educação no trânsito, não bastam só campanhas pontuais, há a necessidade de se fazer um movimento permanente de conscientização para minimizar os fatores que geram os acidentes, entre eles a imprudência, a falta de fiscalização e a necessidade do Estado auxiliar a desburocratização dos processos para que os trabalhadores saiam da informalidade.

Há a necessidade ainda de reabilitar efetivamente os acidentados com sequelas permanentes para que possam voltar a ter renda e um emprego digno. Continuamos cobrando ações efetivas nesse sentido do poder público para que haja uma rede colaborativa para evitar acidentes, mortes e para que a força de trabalho dessas pessoas continue a gerar renda.

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